Os grandes incêndios rurais ocorridos em Portugal continental nos dias 17 de julho e 15 de outubro de 2017 tiveram como consequências trágicas a perda de vidas humanas e os inúmeros danos e perdas nas habitações, quintas, infraestruturas, equipamento e bens da população, das empresas e da administração pública, incluindo ainda a destruição das florestas e dos seus produtos e serviços.

Considerando a dimensão sem precedentes destes incêndios rurais, uma Comissão Técnica Independente (CTI) foi nomeada pelo Parlamento para analisar os factos. Os relatórios técnicos da CTI salientam falhas estruturais, assim como falhas operacionais no modelo existente para a prevenção e combate dos incêndios rurais e no Sistema da Proteção Civil. Nomeadamente, o primeiro relatório apresenta recomendações focadas na necessidade de uma gestão florestal sustentável e na prevenção de incêndios. Deste modo, o Governo português iniciou uma reforma global do sistema na prevenção e combate de incêndios rurais, seguindo três princípios básicos:

  • estabelecer uma ligação entre a prevenção e o combate no sistema de gestão de incêndios florestais;
  • profissionalização e qualificação do sistema;
  • especialização.

A gestão coesa da prevenção e combate de incêndios, a profissionalização e a qualificação do sistema e a especialização necessária para a gestão de incêndios rurais exigem um forte investimento na Investigação, Desenvolvimento e Inovação (I&D&I) com o envolvimento de instituições de ensino superior. Além disso, trata-se de um esforço sem precedentes para reunir peritos nos diversos campos de investigação para o desenvolvimento de uma abordagem conjunta, interdisciplinar e holística que combina o conhecimento científico em gestão florestal com a prevenção e combate de incêndios, incluindo interações ecológicas, económicas e sociais, assim como esforços para a qualificação técnica das partes envolvidas.